Em entrevista à A Tribuna, o economista e coordenador-geral da Faculdade PIO XII Marcelo Loyola de Fraga, falou sobre o período de quarentena da pandemia do Covid-19, Coronavírus. Confira abaixo:

“Confinamento é algo desastroso”

“O período de confinamento pode ser necessário, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), para que o vírus não se dissemine como nos países do hemisfério norte.

Porém, com relação à economia, é a algo desastroso se perdurar por muito tempo, uma que vez que temos que lembrar que estamos em um país pobre que não tem recursos para se sustentar por muito tempo sem produzir. Manter  as lojas e empresas fechadas por muito tempo fará empresas quebrarem. A grande maioria dos empregos no Brasil estão na micro e pequenas empresas, que não tem como ficarem um mês sem produzir.

Isso vai gerar um desemprego enorme, difícil de recuperar, pois não há produção, porque não há para quem vender, uma vez que quase todas as lojas estão fechadas”

 

Previsão é de saques em massa da poupança

Os especialistas avaliam que a partir do próximo dia 1º a população irá precisar usar as economias para pagar contas.

A paralisação de diversas atividades econômicas em decorrência das medidas de enfrentamento do novo Coronavírus têm levado a uma onda de demissões no Espírito Santo. Com isso, especialistas preveem que ocorram saques em massa da poupança a partir do próximo dia 1º.

“Semana que vem começam a vencer as contas e, como muitos não vão ter salário, quem, por sorte, tiver dinheiro na poupança vai sacar esses recursos para pagar as contas que vencem em abril. Os demais, infelizmente, se tornarão inadimplentes”, explicou o economista Marcelo Loyola Fraga.

Marcelo alertou que o movimento de saques em massa compromete uma série de investimentos atrelados à poupança.

A opinião é compartilhada pelo economista Eduardo Araújo, segundo o qual, além das pessoas que perderam a renda recentemente, existem ainda casos de pessoas que, tomadas pela incerteza, tiraram dinheiro da poupança para realizar compras volumosas, principalmente de alimentos.

“E isso já vem acontecendo. Há algumas semanas, as pessoas tinham poucas informações, sem saber quanto tempo essa crise poderia durar, acabaram se precipitando e tirando o dinheiro que têm guardado, antes mesmo de haver a paralisação de certas atividades”, explicou Araújo.

No Espírito Santo, cerca de 2 milhões de pessoas têm dinheiro guardado na caderneta, segundo levantamento do presidente do conselho consultivo da Associação de Bancos do Espírito Santo (Arbes), Jorge Eloy Domingues.

Ele defende que aproximadamente 10% dos poupadores, ou seja, 200 mil pessoas, vão tirar dinheiro da poupança para pagar as contas a partir do mês de abril.

“Esse número pode crescer se essa crise durar muito mais tempo, e os setores de comércio e serviços continuarem a ter restrições.”

Já o economista e professor da Fucape, Fernando Caio Galdi, declarou que sacar o dinheiro da poupança é um movimento precipitado por parte da população.

“O governo federal está divulgando algumas medidas para compensar eventuais perdas que os trabalhadores tenham, e isso pode compensar alguma dificuldade de caixa. É melhor esperar mais alguns dias antes de sacar dinheiro da poupança.”

Matéria publicada em https://tribunaonline.com.br/previsao-e-de-saques-em-massa-da-poupanca