Um pedreiro que sonha ser delegado de polícia

Joaquim Corsino dos Santos cursa Direito em faculdade privada.

“Nasci em Tarumirim, Minas Gerais. Meu pai, Agenor, e minha mãe, Ana Clara, eram trabalhadores rurais, tiveram 14 filhos, e mudavam sempre, em busca de trabalho em fazendas da região.

Eu os ajudava, na roça, mas não queria aquela vida para mim. Queria mesmo era estudar. Fiz o primeiro ano em Canivete, Mantena. De todos os irmãos, só eu e a Luci, a caçula, conseguimos ir além do quarto ano do antigo primário. Luci, coitada, foi assassinada pelo marido, que se suicidou.

Tinha mais de 20 anos quando terminei o curso técnico em Administração. Nessa época, já morávamos em Vitória. Como precisava trabalhar, fiquei sem ir à escola por anos.
Em 1980, tentei vestibular na Ufes, para Ciências Contábeis, e não passei. Fui trabalhar como auxiliar de pedreiro, mas depois de algum tempo já era pedreiro, recebendo um salário melhor. Trabalhei aqui no Espírito Santo e também na Bahia e em São Paulo.
Mas o sonho de me tornar advogado eu nunca abandonei. Passei a guardar parte do que ganhava para pagar uma faculdade de Direito. Ao todo, em toda a minha vida de trabalho, consegui juntar uns R$ 50 mil.
Ao mesmo tempo, fui construindo minha casinha, hoje um prédio de três andares, lá no bairro Bandeirantes, em Cariacica, onde moramos eu e três de meus irmãos, uma delas doente da cabeça. Sou solteiro e não tive filhos.
Em 2008, passei num processo seletivo em uma faculdade privada, onde cursei dois anos de Direito. Mas aí um amigo me pediu R$ 4.500 emprestados – não pagou até hoje –, e eu, com receio de não ter como bancar os estudos, tranquei a matrícula no curso.
Trabalhei mais um ano como pedreiro, recuperei o prejuízo, e voltei à faculdade, em 2012 lá na Serra. Como o trajeto de casa até lá era longo, comprei até uma moto, que está parada – ainda não tirei carteira (riso).
pedreiro
Essa distância contribuiu para eu mudar de faculdade. Hoje, faço o nono período de Direito na Fnac, em Vitória, que me concedeu desconto de 50% na mensalidade. Sou o mais velho da turma.
Saio de casa, de bicicleta, para estudar à noite, e levo quase uma hora e meia só de ida. Há uns seis meses, roubaram uma roda da bicicleta, e tive que voltar de ônibus.
Agora, decidi dar uma parada no trabalho só para estudar. Adoro ler a Constituição Federal. Meu sonho é concluir o curso, tirar minha carteira da Ordem dos Advogados e passar em concurso para ser delegado de polícia. É meu sonho, e chegarei lá”.

Um pedreiro que sonha ser delegado de polícia

Joaquim Corsino dos Santos cursa Direito em faculdade privada.

“Nasci em Tarumirim, Minas Gerais. Meu pai, Agenor, e minha mãe, Ana Clara, eram trabalhadores rurais, tiveram 14 filhos, e mudavam sempre, em busca de trabalho em fazendas da região.

Eu os ajudava, na roça, mas não queria aquela vida para mim. Queria mesmo era estudar. Fiz o primeiro ano em Canivete, Mantena. De todos os irmãos, só eu e a Luci, a caçula, conseguimos ir além do quarto ano do antigo primário. Luci, coitada, foi assassinada pelo marido, que se suicidou.

Tinha mais de 20 anos quando terminei o curso técnico em Administração. Nessa época, já morávamos em Vitória. Como precisava trabalhar, fiquei sem ir à escola por anos.
Em 1980, tentei vestibular na Ufes, para Ciências Contábeis, e não passei. Fui trabalhar como auxiliar de pedreiro, mas depois de algum tempo já era pedreiro, recebendo um salário melhor. Trabalhei aqui no Espírito Santo e também na Bahia e em São Paulo.
Mas o sonho de me tornar advogado eu nunca abandonei. Passei a guardar parte do que ganhava para pagar uma faculdade de Direito. Ao todo, em toda a minha vida de trabalho, consegui juntar uns R$ 50 mil.
Ao mesmo tempo, fui construindo minha casinha, hoje um prédio de três andares, lá no bairro Bandeirantes, em Cariacica, onde moramos eu e três de meus irmãos, uma delas doente da cabeça. Sou solteiro e não tive filhos.
Em 2008, passei num processo seletivo em uma faculdade privada, onde cursei dois anos de Direito. Mas aí um amigo me pediu R$ 4.500 emprestados – não pagou até hoje –, e eu, com receio de não ter como bancar os estudos, tranquei a matrícula no curso.
Trabalhei mais um ano como pedreiro, recuperei o prejuízo, e voltei à faculdade, em 2012 lá na Serra. Como o trajeto de casa até lá era longo, comprei até uma moto, que está parada – ainda não tirei carteira (riso).
pedreiro
Essa distância contribuiu para eu mudar de faculdade. Hoje, faço o nono período de Direito na Fnac, em Vitória, que me concedeu desconto de 50% na mensalidade. Sou o mais velho da turma.
Saio de casa, de bicicleta, para estudar à noite, e levo quase uma hora e meia só de ida. Há uns seis meses, roubaram uma roda da bicicleta, e tive que voltar de ônibus.
Agora, decidi dar uma parada no trabalho só para estudar. Adoro ler a Constituição Federal. Meu sonho é concluir o curso, tirar minha carteira da Ordem dos Advogados e passar em concurso para ser delegado de polícia. É meu sonho, e chegarei lá”.