Trabalhadores transformam ‘bicos’ em principal fonte de renda. Coordenador da PIO XII explica sobre trabalho em A Gazeta

Sem abandonar os empregos, capixabas investem em trabalho extra. Economista explica que trabalho autônomo desperta lado empreendedor.

 Rafael Silva – De A Gazeta
Jaqueline é analista de sistemas, mas incrementa a renda em casa fazendo trabalhos como cerimonialista (Foto: Edson Chagas/ A Gazeta)
Jaqueline é analista de sistemas, mas incrementa a renda em casa fazendo trabalhos como cerimonialista (Foto: Edson Chagas/ A Gazeta)

Assim que acaba o expediente em um escritório de contabilidade em Vila Velha, no Espírito Santo, a analista de sistemas Jaqueline Silvestre troca as notas fiscais pelas flores, o véu e a grinalda. Contadora por formação, há dois anos e meio ela faz “bicos” como cerimonialista de casamentos e chega a faturar até R$ 4 mil por mês, quase R$ 1 mil a mais do que recebe em sua profissão “oficial”.

A nova carreira começou com o apoio do marido, que é pastor e ministra casamentos. Jaqueline começou organizando as festas de colegas da igreja que frequentava e não parou mais.

“Acabei tomando gosto, me especializei e não parei mais. Fico ao lado do casal desde a escolha da roupa até os pequenos detalhes da festa. Os pacotes de cada cerimônia variam de R$ 5 mil a R$ 16 mil. Gosto de trabalhar com pessoas e, no escritório, eu mexia só com sistemas e contratos. Como cerimonialista, crio laços com os clientes, entro de corpo e alma mesmo, o sonho deles acaba se tornando o meu sonho também”, conta.

Jaqueline faz parte de um grupo de empreendedores que vem crescendo no mercado. Com a crise e o risco maior de falência, já que o consumo nos últimos anos caiu, muitos têm investido em novas áreas sem abandonar seus empregos formais. Mesmo ganhando menos, têm segurança financeira um pouco melhor.

Wender Fonseca tem uma empresa de assistência técnica, mas também passou a vender churrasquinho (Foto: Fernando Madeira/ A Gazeta)
Wender Fonseca passou a vender churrasquinho
(Foto: Fernando Madeira/ A Gazeta)

É o caso do empresário Wender Fonseca. Dono de uma loja de assistência técnica de celulares em Jardim Carapina, na Serra, há dois meses ele montou uma barraca de churrasquinhos em frente ao seu próprio comércio.

O investimento, que foi feito junto com um sócio, foi de R$ 1.700 e hoje ele já consegue ganhar os mesmos R$ 2 mil que ganha com o conserto de aparelhos. Por vezes, fatura até mais.

“Durante a semana, as vendas na barraca são mais fracas, mas no finais de semana o movimento é sempre bom. No início do mês, o volume de serviços na loja é enorme, depois vai caindo gradativamente. Com a crise, essa queda apertou ainda mais. Por isso, investi com a venda de comida, que é algo que sempre dá retorno. Minha intenção é expandir para um produto mais ‘gourmet’, sem deixar de lado a atividade na lojinha também”, projeta.

Maira Lopes  é “enfermeira por vocação, mas professora de inglês por necessidade”.  Desde que começou a faculdade de enfermagem, ela se alterna entre a cadeira de estudante e a de professora.

Com uma filha de um ano e com as parcelas do financiamento do curso para pagar, ela aproveitou a fluência com o idioma inglês, que adquiriu quando trabalhou no exterior, para ganhar uma renda extra com aulas particulares.

“Hoje, ganho R$ 600 por mês dando quatro horas de aula por semana. É o mesmo que ganho com meu estágio em enfermagem. Também trabalhei em uma escola de idioma e cheguei a ganhar R$ 2.200 por mês. Seja qual for a profissão da pessoa, dar aulas de inglês é uma oportunidade boa para quem ainda não entrou no mercado que escolheu”, revela.

Despertar do espírito empreendedor
O economista e coordenador da Faculdade Pio XII, Marcelo Loyola, explicou que associar a profissão com carteira assinada  a um bico pode trazr benefícios e problemas.

“O benefício principal é que trabalhar como autônomo desperta o lado empreendedor. Muitos negócios de sucesso hoje nasceram a partir desses bicos, desses trabalhos independentes de empreendedores. A pessoa percebe que as coisas vão bem e acaba contratando mais pessoas para ajudar ele a expandir.”, disse.

A parte negativa, segundo ele, é a falta de regularização, que faz com que o cidadão em questão não contribua com impostos.

“O lado ruim da coisa é que se esse profissional não é registrado, formalizado, ele não não contribui com impostos diretos, o que é ruim para a sociedade. E se ele ficar doente, e não tiver outro trabalho, estará sem amparo da previdência pública. O ideal é que se esse trabalho virar o principal, que essas pessoas se formalizem. O governo tem feito iniciativas como o registro de microempreendedor individual (MEI)”, disse.

Fonte: G1

Trabalhadores transformam ‘bicos’ em principal fonte de renda. Coordenador da PIO XII explica sobre trabalho em A Gazeta

Sem abandonar os empregos, capixabas investem em trabalho extra. Economista explica que trabalho autônomo desperta lado empreendedor.

 Rafael Silva – De A Gazeta
Jaqueline é analista de sistemas, mas incrementa a renda em casa fazendo trabalhos como cerimonialista (Foto: Edson Chagas/ A Gazeta)
Jaqueline é analista de sistemas, mas incrementa a renda em casa fazendo trabalhos como cerimonialista (Foto: Edson Chagas/ A Gazeta)

Assim que acaba o expediente em um escritório de contabilidade em Vila Velha, no Espírito Santo, a analista de sistemas Jaqueline Silvestre troca as notas fiscais pelas flores, o véu e a grinalda. Contadora por formação, há dois anos e meio ela faz “bicos” como cerimonialista de casamentos e chega a faturar até R$ 4 mil por mês, quase R$ 1 mil a mais do que recebe em sua profissão “oficial”.

A nova carreira começou com o apoio do marido, que é pastor e ministra casamentos. Jaqueline começou organizando as festas de colegas da igreja que frequentava e não parou mais.

“Acabei tomando gosto, me especializei e não parei mais. Fico ao lado do casal desde a escolha da roupa até os pequenos detalhes da festa. Os pacotes de cada cerimônia variam de R$ 5 mil a R$ 16 mil. Gosto de trabalhar com pessoas e, no escritório, eu mexia só com sistemas e contratos. Como cerimonialista, crio laços com os clientes, entro de corpo e alma mesmo, o sonho deles acaba se tornando o meu sonho também”, conta.

Jaqueline faz parte de um grupo de empreendedores que vem crescendo no mercado. Com a crise e o risco maior de falência, já que o consumo nos últimos anos caiu, muitos têm investido em novas áreas sem abandonar seus empregos formais. Mesmo ganhando menos, têm segurança financeira um pouco melhor.

Wender Fonseca tem uma empresa de assistência técnica, mas também passou a vender churrasquinho (Foto: Fernando Madeira/ A Gazeta)
Wender Fonseca passou a vender churrasquinho
(Foto: Fernando Madeira/ A Gazeta)

É o caso do empresário Wender Fonseca. Dono de uma loja de assistência técnica de celulares em Jardim Carapina, na Serra, há dois meses ele montou uma barraca de churrasquinhos em frente ao seu próprio comércio.

O investimento, que foi feito junto com um sócio, foi de R$ 1.700 e hoje ele já consegue ganhar os mesmos R$ 2 mil que ganha com o conserto de aparelhos. Por vezes, fatura até mais.

“Durante a semana, as vendas na barraca são mais fracas, mas no finais de semana o movimento é sempre bom. No início do mês, o volume de serviços na loja é enorme, depois vai caindo gradativamente. Com a crise, essa queda apertou ainda mais. Por isso, investi com a venda de comida, que é algo que sempre dá retorno. Minha intenção é expandir para um produto mais ‘gourmet’, sem deixar de lado a atividade na lojinha também”, projeta.

Maira Lopes  é “enfermeira por vocação, mas professora de inglês por necessidade”.  Desde que começou a faculdade de enfermagem, ela se alterna entre a cadeira de estudante e a de professora.

Com uma filha de um ano e com as parcelas do financiamento do curso para pagar, ela aproveitou a fluência com o idioma inglês, que adquiriu quando trabalhou no exterior, para ganhar uma renda extra com aulas particulares.

“Hoje, ganho R$ 600 por mês dando quatro horas de aula por semana. É o mesmo que ganho com meu estágio em enfermagem. Também trabalhei em uma escola de idioma e cheguei a ganhar R$ 2.200 por mês. Seja qual for a profissão da pessoa, dar aulas de inglês é uma oportunidade boa para quem ainda não entrou no mercado que escolheu”, revela.

Despertar do espírito empreendedor
O economista e coordenador da Faculdade Pio XII, Marcelo Loyola, explicou que associar a profissão com carteira assinada  a um bico pode trazr benefícios e problemas.

“O benefício principal é que trabalhar como autônomo desperta o lado empreendedor. Muitos negócios de sucesso hoje nasceram a partir desses bicos, desses trabalhos independentes de empreendedores. A pessoa percebe que as coisas vão bem e acaba contratando mais pessoas para ajudar ele a expandir.”, disse.

A parte negativa, segundo ele, é a falta de regularização, que faz com que o cidadão em questão não contribua com impostos.

“O lado ruim da coisa é que se esse profissional não é registrado, formalizado, ele não não contribui com impostos diretos, o que é ruim para a sociedade. E se ele ficar doente, e não tiver outro trabalho, estará sem amparo da previdência pública. O ideal é que se esse trabalho virar o principal, que essas pessoas se formalizem. O governo tem feito iniciativas como o registro de microempreendedor individual (MEI)”, disse.

Fonte: G1