Site reúne aulas preparatórias para concursos públicos

São Paulo – No mês de agosto, a contadora goiana Claudia Medeiros, de 42 anos, recebeu uma ótima notícia. Depois de dois anos de estudos, ela foi aprovada numconcurso público que selecionou profissionais de finanças para trabalhar na prefeitura de Palmas, no Tocantins. “As primeiras vagas já foram preenchidas, e espero ser chamada para ocupar o cargo até o fim de 2015”, diz Claudia.

Histórias como a dela o empreendedor sul-mato-grossense Rodrigo Schluchting, de 24 anos, conhece aos montes. Ele é o fundador da Elo Concursos, empresa de Campo Grande que oferece pacotes de aulas preparatórias para concursos públicos transmitidas pela internet.

Em 2010, quando era professor de matemática de um cursinho preparatório para concursos em Campo Grande, Schluchting percebeu que muitos alunos se interessavam por aulas complementares que pudessem ser vistas de casa. “Fiz as primeiras videoaulas por conta própria e me surpreendi com o número de acessos”, afirma Schluchting. Um ano depois, ele se juntou a três amigos e lançou a Elo Concursos.

Ao entrar no site da empresa, um concurseiro encontra pacotes de aulas para provas específicas, como as da Polícia Federal ou do Instituto Nacional do Seguro Social, que custam cerca de 300 reais. Também é possível ter acesso a todo o conteúdo do site pagando uma assinatura mensal de 50 reais.

Há ainda pacotes com aulões de disciplinas que costumam cair em todo tipo de concurso, como matemática e português. As aulas são transmitidas ao vivo de um cursinho em Campo Grande — e os vídeos ficam disponíveis no site para quem quiser consultá-los posteriormente. Em 2014, a empresa deverá faturar 500?000 reais — 5% mais do que em 2013.

A maioria dos clientes é formada por gente que quer trocar um emprego na iniciativa privada pela estabilidade da carreira pública. Trata-se de uma demanda em ascensão. A Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos estima que, em 2014, cerca de 12 milhões de pessoas se inscreveram em concursos — o dobro de 2009. A Elo Concursos deverá encerrar 2014 com uma base de alunos 30% maior do que a de 2013.

Agora Schluchting está pensando em novas maneiras de conquistar mais alunos. Um de seus planos é criar polos presenciais em cidades médias de estados como Minas Gerais e Bahia. Ele acredita que esse seja um jeito de atrair um público pouco atendido pelos cursinhos presenciais. Estima-se que apenas 8% das cidades brasileiras tenham cursinhos desse tipo.

“Os polos serviriam para atender quem não consegue estudar em casa e também para atrair novos alunos para os cursos online”, diz Schluch­ting. Desse modo, na visão dele, a Elo Concursos poderia crescer sem que fossem realizados grandes in­­ves­ti­mentos em mar­ke­ting digital — o que con­cor­ren­­­tes maiores e com mais fô­le­go financeiro costumam fazer para ganhar mer­cado.

Para ajudar o fundador da Elo Concursos a traçar o melhor plano de expansão, Exame PME ouviu Carlos Souza, fundador da paulista Veduca — que transmite cursos pela web —, e José Carlos Semenzato, dono de uma holding que administra 12 redes de franquia e fundador das escolas profissionalizantes Microlins, vendidas em 2010.

Opinou ainda Pedro Waengertner, fundador da aceleradora de startups Acelera­tech, onde Schluchting está passando por um período de mentoria. Veja o que eles disseram.

Mudar o formato das aulas
Carlos Souza | Veduca — São Paulo, SP

Perspectivas: Em 2013, o número de alunos matriculados em cursos a distância aumentou 52% em relação a 2012. A tendência é que esse número cresça a cada ano, já que o acesso à internet de banda larga também vem se expandindo no Brasil.

Oportunidades: Como tudo o que é relativamente novo, as videoaulas transmitidas pela internet mudaram muito de poucos anos para cá. Quando comecei a Veduca, em 2012, apenas transmitíamos aulas dadas em universidades estrangeiras legendadas em português. Logo percebi que muita gente desistia de assistir às aulas até o fim porque elas eram longas demais.

Ninguém aguenta passar muito tempo em frente ao computador vendo um vídeo que não foi projetado para a internet. Algumas aulas da Elo Concursos são assim. Em breve, Schluchting terá de repensar seu modelo de ensino.

O que fazer: Schluchting deve contratar uma equipe de professores e especialistas em conteúdo digital e montar aulas adaptadas para a internet. As aulas devem ser separadas em blocos curtos e contar com animações que prendam a atenção do aluno. Assim, a Elo Concursos deverá atrair mais concurseiros.

Tentar vender mais para os mesmos
Pedro Waengertner | Aceleratech — São Paulo, SP

Perspectivas: O número de pessoas interessadas em concursos públicos aumentou bem acima da oferta de vagas nos últimos anos. Consequentemente, a concorrência por uma vaga é maior. É muito comum que um concurseiro estude anos a fio para conseguir a posição que tanto deseja. Isso cria um mercado propício para serviços como o da Elo Concursos.

Oportunidades: Muitos alunos estudam para vários exames ao mesmo tempo. Há inclusive os que prestam concursos considerados mais fáceis e, assim que passam e conquistam a vaga, começam a estudar novamente para conseguir um emprego melhor. São os chamados concurseiros profissionais, que têm grande potencial para se tornar clientes fiéis da Elo Concursos.

O que fazer: Schluchting deve explorar mais a base de 13?000 clientes que já foram conquistados pela Elo Concursos. Ele pode identificar quem tem o perfil para fazer novos cursos. É possível que ex-alunos sejam atraídos por promoções com descontos para quem já assistiu a alguma aula.

Atrair investidores
José Carlos Semenzato | Smzto — São Paulo, SP

Perspectivas: Há cinco anos, quando ainda estava à frente da Microlins, comecei a investir em iniciativas de educação a distância. Ouvia dizer que aquilo seria o futuro — e não é que é isso mesmo? Hoje em dia, as grandes empresas de educação estão preocupadas com isso — e com razão. Os investimentos em cursos a distância se pagam muito rapidamente, já que o potencial de atrair alunos pela internet é enorme.

Oportunidades: Se Schluchting começar a circular por aí, vai perceber que a praça está cheia de investidores com dinheiro para fazer aportes em empresas como a Elo Concursos. A mistura de educação com internet tem feito brilhar os olhos dos donos do dinheiro. É natural, já que esse tipo de negócio poderá atingir uma escala considerável rapidamente.

O que fazer: A Elo Concursos deve manter o foco na internet, e Schluchting deve deixar para lá essa história de polos presenciais. Também acho que é hora de começar a se preparar para receber um sócio capi­talista.

Schluchting deve começar a colocar as fi­nanças em ordem, criar uma estrutura de governança em que cada sócio tenha uma função clara e fazer projeções do público que seria possível atingir com um investimento inicial. Desse jeito, ele poderá conseguir um aporte logo, logo.

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Fonte: EXAME

Site reúne aulas preparatórias para concursos públicos

São Paulo – No mês de agosto, a contadora goiana Claudia Medeiros, de 42 anos, recebeu uma ótima notícia. Depois de dois anos de estudos, ela foi aprovada numconcurso público que selecionou profissionais de finanças para trabalhar na prefeitura de Palmas, no Tocantins. “As primeiras vagas já foram preenchidas, e espero ser chamada para ocupar o cargo até o fim de 2015”, diz Claudia.

Histórias como a dela o empreendedor sul-mato-grossense Rodrigo Schluchting, de 24 anos, conhece aos montes. Ele é o fundador da Elo Concursos, empresa de Campo Grande que oferece pacotes de aulas preparatórias para concursos públicos transmitidas pela internet.

Em 2010, quando era professor de matemática de um cursinho preparatório para concursos em Campo Grande, Schluchting percebeu que muitos alunos se interessavam por aulas complementares que pudessem ser vistas de casa. “Fiz as primeiras videoaulas por conta própria e me surpreendi com o número de acessos”, afirma Schluchting. Um ano depois, ele se juntou a três amigos e lançou a Elo Concursos.

Ao entrar no site da empresa, um concurseiro encontra pacotes de aulas para provas específicas, como as da Polícia Federal ou do Instituto Nacional do Seguro Social, que custam cerca de 300 reais. Também é possível ter acesso a todo o conteúdo do site pagando uma assinatura mensal de 50 reais.

Há ainda pacotes com aulões de disciplinas que costumam cair em todo tipo de concurso, como matemática e português. As aulas são transmitidas ao vivo de um cursinho em Campo Grande — e os vídeos ficam disponíveis no site para quem quiser consultá-los posteriormente. Em 2014, a empresa deverá faturar 500 000 reais — 5% mais do que em 2013.

A maioria dos clientes é formada por gente que quer trocar um emprego na iniciativa privada pela estabilidade da carreira pública. Trata-se de uma demanda em ascensão. A Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos estima que, em 2014, cerca de 12 milhões de pessoas se inscreveram em concursos — o dobro de 2009. A Elo Concursos deverá encerrar 2014 com uma base de alunos 30% maior do que a de 2013.

Agora Schluchting está pensando em novas maneiras de conquistar mais alunos. Um de seus planos é criar polos presenciais em cidades médias de estados como Minas Gerais e Bahia. Ele acredita que esse seja um jeito de atrair um público pouco atendido pelos cursinhos presenciais. Estima-se que apenas 8% das cidades brasileiras tenham cursinhos desse tipo.

“Os polos serviriam para atender quem não consegue estudar em casa e também para atrair novos alunos para os cursos online”, diz Schluch­ting. Desse modo, na visão dele, a Elo Concursos poderia crescer sem que fossem realizados grandes in­­ves­ti­mentos em mar­ke­ting digital — o que con­cor­ren­­­tes maiores e com mais fô­le­go financeiro costumam fazer para ganhar mer­cado.

Para ajudar o fundador da Elo Concursos a traçar o melhor plano de expansão, Exame PME ouviu Carlos Souza, fundador da paulista Veduca — que transmite cursos pela web —, e José Carlos Semenzato, dono de uma holding que administra 12 redes de franquia e fundador das escolas profissionalizantes Microlins, vendidas em 2010.

Opinou ainda Pedro Waengertner, fundador da aceleradora de startups Acelera­tech, onde Schluchting está passando por um período de mentoria. Veja o que eles disseram.

Mudar o formato das aulas
Carlos Souza | Veduca — São Paulo, SP

Perspectivas: Em 2013, o número de alunos matriculados em cursos a distância aumentou 52% em relação a 2012. A tendência é que esse número cresça a cada ano, já que o acesso à internet de banda larga também vem se expandindo no Brasil.

Oportunidades: Como tudo o que é relativamente novo, as videoaulas transmitidas pela internet mudaram muito de poucos anos para cá. Quando comecei a Veduca, em 2012, apenas transmitíamos aulas dadas em universidades estrangeiras legendadas em português. Logo percebi que muita gente desistia de assistir às aulas até o fim porque elas eram longas demais.

Ninguém aguenta passar muito tempo em frente ao computador vendo um vídeo que não foi projetado para a internet. Algumas aulas da Elo Concursos são assim. Em breve, Schluchting terá de repensar seu modelo de ensino.

O que fazer: Schluchting deve contratar uma equipe de professores e especialistas em conteúdo digital e montar aulas adaptadas para a internet. As aulas devem ser separadas em blocos curtos e contar com animações que prendam a atenção do aluno. Assim, a Elo Concursos deverá atrair mais concurseiros.

Tentar vender mais para os mesmos
Pedro Waengertner | Aceleratech — São Paulo, SP

Perspectivas: O número de pessoas interessadas em concursos públicos aumentou bem acima da oferta de vagas nos últimos anos. Consequentemente, a concorrência por uma vaga é maior. É muito comum que um concurseiro estude anos a fio para conseguir a posição que tanto deseja. Isso cria um mercado propício para serviços como o da Elo Concursos.

Oportunidades: Muitos alunos estudam para vários exames ao mesmo tempo. Há inclusive os que prestam concursos considerados mais fáceis e, assim que passam e conquistam a vaga, começam a estudar novamente para conseguir um emprego melhor. São os chamados concurseiros profissionais, que têm grande potencial para se tornar clientes fiéis da Elo Concursos.

O que fazer: Schluchting deve explorar mais a base de 13 000 clientes que já foram conquistados pela Elo Concursos. Ele pode identificar quem tem o perfil para fazer novos cursos. É possível que ex-alunos sejam atraídos por promoções com descontos para quem já assistiu a alguma aula.

Atrair investidores
José Carlos Semenzato | Smzto — São Paulo, SP

Perspectivas: Há cinco anos, quando ainda estava à frente da Microlins, comecei a investir em iniciativas de educação a distância. Ouvia dizer que aquilo seria o futuro — e não é que é isso mesmo? Hoje em dia, as grandes empresas de educação estão preocupadas com isso — e com razão. Os investimentos em cursos a distância se pagam muito rapidamente, já que o potencial de atrair alunos pela internet é enorme.

Oportunidades: Se Schluchting começar a circular por aí, vai perceber que a praça está cheia de investidores com dinheiro para fazer aportes em empresas como a Elo Concursos. A mistura de educação com internet tem feito brilhar os olhos dos donos do dinheiro. É natural, já que esse tipo de negócio poderá atingir uma escala considerável rapidamente.

O que fazer: A Elo Concursos deve manter o foco na internet, e Schluchting deve deixar para lá essa história de polos presenciais. Também acho que é hora de começar a se preparar para receber um sócio capi­talista.

Schluchting deve começar a colocar as fi­nanças em ordem, criar uma estrutura de governança em que cada sócio tenha uma função clara e fazer projeções do público que seria possível atingir com um investimento inicial. Desse jeito, ele poderá conseguir um aporte logo, logo.

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Fonte: EXAME