Pesquisa da Ufes mostra como reduzir conta de água em até 30%

Diante da colapso hídrico que não parece ter prazo para acabar, economizar água se tornou prioridade para muitas famílias. E um levantamento feito em Vitória mostrou que o uso de duas estruturas podem fazer muita diferença no consumo final: hidrômetros individuais e descarga com caixa acoplada.

A medição com hidrômetro individualizado, por exemplo, pode gerar uma economia de 15% nos condomínios. Se esses prédios ainda contarem com descarga com caixa acoplada, a redução é de 30%. Os dados são de uma pesquisa realizada no departamento de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), coordenada, desde 2003, pelo professor doutor em engenharia de tratamento de água Ricardo Franci.

“Foram 18 edificações entre Mata da Praia e Jardim da Penha. Separamos os prédios em três grupos”, explica Ricardo.

Um deles eram construções apenas com medição individualizada. O outro grupo tinha também a caixa acoplada na descarga. O terceiro, não tinha nenhuma das duas estruturas. Além disso, eles também consideraram residenciais com e sem mecanismos de reuso.

Bairros

O grupo também analisou outros bairros, levando em consideração diferentes critérios. O estudo mostrou, por exemplo, que o reúso da água e a condição financeira dos moradores também interferem no consumo de água.

Na Praia do Canto, por exemplo, o monitoramento foi feito em seis prédios. Onde havia reutilização de água das chuvas, o gasto com água era de 170 litros por pessoa por dia. Já os que não possuíam esse mecanismo tinham um consumo acima de 220 litros por morador, chegando a 280 – o recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU) é de 120 litros.

Outro bairro monitorado foi a Ilha do Frade. Cerca de seis casas, onde moravam alunos da Ufes que participavam do grupo de pesquisa, tiveram o gasto controlado e o resultado surpreendeu. Por dia, são gastos até 400 litros por morador.

“As descargas são antigas, o que pode aumentar o consumo em até quatro vezes. Outra coisa é que, nessas residências, podem haver superduchas, que gastam até 12 litros por minuto, enquanto um chuveiro elétrico comum despeja três litros e meio nesse tempo”, ressalta Franci.

Além disso, há os gastos com irrigação do jardim, limpeza de piscina e lavagem de carros. “Se a conta de água não pesa muito no orçamento da família, não há incentivo para economizar”, comenta o professor. (Com informações de Carla Sá)

Gasto menor na periferia
Em bairros periféricos, a economia de água é maior do que nos bairros considerados nobres e o consumo fica bem abaixo do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 120 litros diários por pessoa.

Essa foi outra conclusão dos pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo. Eles realizaram medições nos bairros Jabaeté, na Grande terra Vermelha, e Zumbi de Palmares, ambos em Vila Velha.

No primeiro, foram 30 casas monitoradas, que registraram um consumo de 79 litros por pessoa por dia. Já em Zumbi, a média foi de 100 litros em 80% das residências da localidade.

O baixo gasto, assim como acontece com o alto consumo na Ilha do Frade, também espelha a condição social da população local. “Setenta e nove litros por dia é baixíssimo. Eles se controlam para pagar de R$ 20 a R$ 30 pela água, porque isso faz diferença no orçamento deles. Irrigar jardim, por exemplo, nem pensar”, aponta o professor Ricardo Franci.

Em Zumbi de Palmares, a situação é ainda mais precária. Isso porque 30% das casas não tinham banheiro adequado. “Nem mesmo bacia sanitária possuíam”, destaca o professor.

Mas as más condições da construção também influenciam para que haja um desperdício. “Na maioria das favelas, as habitações é mal construídas. Há muitos vazamentos e é comum a perda de água”, pontua Franci.

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Pesquisa da Ufes mostra como reduzir conta de água em até 30%

Diante da colapso hídrico que não parece ter prazo para acabar, economizar água se tornou prioridade para muitas famílias. E um levantamento feito em Vitória mostrou que o uso de duas estruturas podem fazer muita diferença no consumo final: hidrômetros individuais e descarga com caixa acoplada.

A medição com hidrômetro individualizado, por exemplo, pode gerar uma economia de 15% nos condomínios. Se esses prédios ainda contarem com descarga com caixa acoplada, a redução é de 30%. Os dados são de uma pesquisa realizada no departamento de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), coordenada, desde 2003, pelo professor doutor em engenharia de tratamento de água Ricardo Franci.

“Foram 18 edificações entre Mata da Praia e Jardim da Penha. Separamos os prédios em três grupos”, explica Ricardo.

Um deles eram construções apenas com medição individualizada. O outro grupo tinha também a caixa acoplada na descarga. O terceiro, não tinha nenhuma das duas estruturas. Além disso, eles também consideraram residenciais com e sem mecanismos de reuso.

Bairros

O grupo também analisou outros bairros, levando em consideração diferentes critérios. O estudo mostrou, por exemplo, que o reúso da água e a condição financeira dos moradores também interferem no consumo de água.

Na Praia do Canto, por exemplo, o monitoramento foi feito em seis prédios. Onde havia reutilização de água das chuvas, o gasto com água era de 170 litros por pessoa por dia. Já os que não possuíam esse mecanismo tinham um consumo acima de 220 litros por morador, chegando a 280 – o recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU) é de 120 litros.

Outro bairro monitorado foi a Ilha do Frade. Cerca de seis casas, onde moravam alunos da Ufes que participavam do grupo de pesquisa, tiveram o gasto controlado e o resultado surpreendeu. Por dia, são gastos até 400 litros por morador.

“As descargas são antigas, o que pode aumentar o consumo em até quatro vezes. Outra coisa é que, nessas residências, podem haver superduchas, que gastam até 12 litros por minuto, enquanto um chuveiro elétrico comum despeja três litros e meio nesse tempo”, ressalta Franci.

Além disso, há os gastos com irrigação do jardim, limpeza de piscina e lavagem de carros. “Se a conta de água não pesa muito no orçamento da família, não há incentivo para economizar”, comenta o professor. (Com informações de Carla Sá)

Gasto menor na periferia
Em bairros periféricos, a economia de água é maior do que nos bairros considerados nobres e o consumo fica bem abaixo do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 120 litros diários por pessoa.

Essa foi outra conclusão dos pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo. Eles realizaram medições nos bairros Jabaeté, na Grande terra Vermelha, e Zumbi de Palmares, ambos em Vila Velha.

No primeiro, foram 30 casas monitoradas, que registraram um consumo de 79 litros por pessoa por dia. Já em Zumbi, a média foi de 100 litros em 80% das residências da localidade.

O baixo gasto, assim como acontece com o alto consumo na Ilha do Frade, também espelha a condição social da população local. “Setenta e nove litros por dia é baixíssimo. Eles se controlam para pagar de R$ 20 a R$ 30 pela água, porque isso faz diferença no orçamento deles. Irrigar jardim, por exemplo, nem pensar”, aponta o professor Ricardo Franci.

Em Zumbi de Palmares, a situação é ainda mais precária. Isso porque 30% das casas não tinham banheiro adequado. “Nem mesmo bacia sanitária possuíam”, destaca o professor.

Mas as más condições da construção também influenciam para que haja um desperdício. “Na maioria das favelas, as habitações é mal construídas. Há muitos vazamentos e é comum a perda de água”, pontua Franci.

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