ONU vê avanços contra ebola, mas adverte para batalha longa

As autoridades de Saúde e a comunidade internacional esperavam, nesta terça-feira, que a mobilização contra o ebola no oeste da África começasse a dar frutos, depois que a Cruz Vermelha constatou a redução das mortes em Monróvia, capital da Libéria, país mais afetado pela epidemia.

Em Adis Abeba, sede da União Africana (UA), o secretário-geral da ONU, Ban ki-moon, afirmou que a luta contra o ebola ainda será uma longa batalha, repetindo que “a transmissão do vírus continua a superar a mobilização da comunidade internacional”.

“Nós precisamos com urgência de mais equipes médicas estrangeiras treinadas sendo mobilizadas na região”, insistiu Ban, em uma viagem pelo leste do continente, ao lado do presidente do Banco Mundial (BM), Jim Yong Kim.

“Vamos precisar de um fluxo contínuo de pelo menos 5.000 trabalhadores sanitários de fora da região”, com rotações regulares, considerou o presidente do BM, dizendo-se “muito preocupado por saber onde encontrá-los, levando-se em conta que o fator medo influencia em muitos lugares”.

“Quanto mais tempo a epidemia causar estragos, maior será o risco de uma propagação para outros países. O Mali é o exemplo mais recente”, afirmou Ban.

Esse país permanecia em estado de vigilância desde o primeiro caso identificado na semana passada, o de uma menina de dois anos que tinha voltado da Guiné e faleceu em 24 de outubro, em Kayes (oeste). Mais de 50 pessoas estão em quarentena, sendo dez na capital, Bamako.

A Libéria é o país mais afetado, com a metade dos mais de 10.000 casos registrados e a maioria dos 5.000 mortos pela epidemia. A Cruz Vermelha, encarregada da coleta de corpos no entorno da capital liberiana, informou ter constatado uma redução significativa de cadáveres desde o início do mês.

Após atingir um pico em setembro, com mais de 200 corpos recolhidos em uma semana – chegando a mais de 300 em meados do mês -, as estatísticas foram declinando progressivamente para se situar em 117 na semana passada, informou o secretário-geral da Cruz Vermelha liberiana, Fayah Tamba, à rádio Sky FM.

‘Sepultamentos seguros’

“Não é preciso ser um grande cientista para concluir que o número de casos diminuiu”, afirmou Tamba, alertando que não “se pode cantar vitória porque o inimigo ainda está lá”.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também moderou as esperanças de recuo, destacando na semana passada que “o número de casos continua subestimado, em particular na capital da Libéria”, onde eram estimados em pelo menos 300 casos semanais.

Em visita aos três países mais afetados pelo ebola, a embaixadora americana das Nações Unidas, Samantha Power, apresentou sinais encorajadores.

“Os sepultamentos seguros em Freetown passaram de 30% para praticamente 100%”, comemorou ela em um post publicado em sua conta no microblog Twitter, pouco antes de deixar a capital serra-leonesa com destino a Monróvia.

A embaixada americana em Freetown destacou, em um comunicado, a importância deste avanço, revelando que “o alto número de casos pode ser explicado por enterros dem segurança ou clandestinos”, uma vez que os cadáveres de pessoas que morreram de ebola são particularmente infectantes.

Além disso, o presidente de Serra Leoa, Ernest Bai Koroma, anunciou que todos os corpos serão sepultados, a partir de agora, em um prazo de 24 horas, a menos que se descarte cientificamente que o vírus tenha sido a causa da morte, noticiou a imprensa nacional.

Criticada pela lentidão em desbloquear os recursos prometidos, a França anunciou nesta terça a liberação imediata de € 20 milhões para a luta contra a epidemia, principalmente destinados à abertura de centros de tratamento na Guiné, onde o diretor-geral da Cruz Vermelha francesa era aguardado na quarta-feira.

No campo da sensibilização, dez artistas africanos populares lançaram a canção “Africa Stop ebola”, em versões em francês e em idiomas locais, que vai tocar nas rádios do continente.

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Fonte: EXAME

ONU vê avanços contra ebola, mas adverte para batalha longa

As autoridades de Saúde e a comunidade internacional esperavam, nesta terça-feira, que a mobilização contra o ebola no oeste da África começasse a dar frutos, depois que a Cruz Vermelha constatou a redução das mortes em Monróvia, capital da Libéria, país mais afetado pela epidemia.

Em Adis Abeba, sede da União Africana (UA), o secretário-geral da ONU, Ban ki-moon, afirmou que a luta contra o ebola ainda será uma longa batalha, repetindo que “a transmissão do vírus continua a superar a mobilização da comunidade internacional”.

“Nós precisamos com urgência de mais equipes médicas estrangeiras treinadas sendo mobilizadas na região”, insistiu Ban, em uma viagem pelo leste do continente, ao lado do presidente do Banco Mundial (BM), Jim Yong Kim.

“Vamos precisar de um fluxo contínuo de pelo menos 5.000 trabalhadores sanitários de fora da região”, com rotações regulares, considerou o presidente do BM, dizendo-se “muito preocupado por saber onde encontrá-los, levando-se em conta que o fator medo influencia em muitos lugares”.

“Quanto mais tempo a epidemia causar estragos, maior será o risco de uma propagação para outros países. O Mali é o exemplo mais recente”, afirmou Ban.

Esse país permanecia em estado de vigilância desde o primeiro caso identificado na semana passada, o de uma menina de dois anos que tinha voltado da Guiné e faleceu em 24 de outubro, em Kayes (oeste). Mais de 50 pessoas estão em quarentena, sendo dez na capital, Bamako.

A Libéria é o país mais afetado, com a metade dos mais de 10.000 casos registrados e a maioria dos 5.000 mortos pela epidemia. A Cruz Vermelha, encarregada da coleta de corpos no entorno da capital liberiana, informou ter constatado uma redução significativa de cadáveres desde o início do mês.

Após atingir um pico em setembro, com mais de 200 corpos recolhidos em uma semana – chegando a mais de 300 em meados do mês -, as estatísticas foram declinando progressivamente para se situar em 117 na semana passada, informou o secretário-geral da Cruz Vermelha liberiana, Fayah Tamba, à rádio Sky FM.

‘Sepultamentos seguros’

“Não é preciso ser um grande cientista para concluir que o número de casos diminuiu”, afirmou Tamba, alertando que não “se pode cantar vitória porque o inimigo ainda está lá”.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também moderou as esperanças de recuo, destacando na semana passada que “o número de casos continua subestimado, em particular na capital da Libéria”, onde eram estimados em pelo menos 300 casos semanais.

Em visita aos três países mais afetados pelo ebola, a embaixadora americana das Nações Unidas, Samantha Power, apresentou sinais encorajadores.

“Os sepultamentos seguros em Freetown passaram de 30% para praticamente 100%”, comemorou ela em um post publicado em sua conta no microblog Twitter, pouco antes de deixar a capital serra-leonesa com destino a Monróvia.

A embaixada americana em Freetown destacou, em um comunicado, a importância deste avanço, revelando que “o alto número de casos pode ser explicado por enterros dem segurança ou clandestinos”, uma vez que os cadáveres de pessoas que morreram de ebola são particularmente infectantes.

Além disso, o presidente de Serra Leoa, Ernest Bai Koroma, anunciou que todos os corpos serão sepultados, a partir de agora, em um prazo de 24 horas, a menos que se descarte cientificamente que o vírus tenha sido a causa da morte, noticiou a imprensa nacional.

Criticada pela lentidão em desbloquear os recursos prometidos, a França anunciou nesta terça a liberação imediata de € 20 milhões para a luta contra a epidemia, principalmente destinados à abertura de centros de tratamento na Guiné, onde o diretor-geral da Cruz Vermelha francesa era aguardado na quarta-feira.

No campo da sensibilização, dez artistas africanos populares lançaram a canção “Africa Stop ebola”, em versões em francês e em idiomas locais, que vai tocar nas rádios do continente.

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Fonte: EXAME