Mesmo com a crise, dá para realizar sonhos. Confira a reportagem de capa do jornal A Gazeta desse domingo

Planejamento e estratégias são essenciais para ter sucesso

A universitária Raianny Caetano Flor já não leva somente uma mochila com os livros de cálculo ou resistência de materiais para a faculdade. Na bagagem da capixaba, vão também delícias como palha italiana, pé de moleque e cocada.
Foto: Fernando Madeira – GZPrestes a se formar, mas com dificuldade de achar estágio, Raianny Flor passou a vender doces, feitos pela tia, para ajudar no orçamento da família

Já os noivos Maísa Arantes e Igor Morotti planejaram o casamento, vestiram a camisa, literalmente, e foram para rua vender bolos gelados. Enquanto isso, a bacharel em Direito Morgana Moraes fez uma “limpa” no guarda-roupas e montou uma loja de aluguel de vestidos, em Jardim Camburi.

Essas três situações retratam um pouco da história de pessoas que têm sonhos distintos, mas que para realizá-los têm em comum a vontade de driblar os desafios, principalmente o financeiro, e dão o exemplo de que, mesmo na crise, dá para tirar do papel planos idealizados há anos.
Para isso, alguns esforços são necessários. No caso de Raianny, concluir o curso de Engenharia Civil na UCL e se orgulhar de ter um diploma foi o que a motivou a vender doces para ajudar a pagar a faculdade. Embora os pais da jovem mantenham seus empregos como empregada doméstica e marceneiro, o aumento do custo de vida no último ano não deu outra alternativa à universitária, senão ajudar nas despesas de casa.
Saída semelhante foi encontrada por Maísa e Igor. Com objetivo de se casarem no ano que vem, eles tentam no comércio informal juntar dinheiro para dar entrada na compra de um imóvel e cobrir alguns custos da festa.
Um sonho da adolescência foi concretizado após um susto. Depois de ser demitida de uma loja de vestuário, em meio à crise, Morgana teve a ideia de montar um negócio para alugar roupas femininas. Com o dinheiro da rescisão e com a ajuda da família, abriu a Mathildes, nome em homenagem à avó.
Assim como aconteceu com os quatro personagens citados, especialistas ouvidos pela reportagem garantem que, mesmo em cenários turbulentos, é possível realizar sonhos. Comprar um imóvel, casar, fazer uma viagem, montar um negócio ou investir nos estudos não precisam ser deletados do planejamento se as pessoas forem capazes de se organizar, fazer escolhas e “arregaçar as mangas”.
Foto: Marcelo Prest – GZCom o slogan “Bolo do sim. Eu aceitei e agora você me ajuda a casar?”, Maísa Arantes e Igor Morotti passaram a vender o quitute para reforçar o caixa para o casório

Estratégias

No caso de quem sonha em fazer uma viagem, o diretor da Tourlines, Marcelo Gama, frisa que existem alternativas para realizá-la. “Trocar o local de destino, reduzir o padrão de exigência de hotéis e atrações turísticas e fazer muita pesquisa de passagens aéreas são caminhos que podem garantir uma significativa economia.”
Uma ambição que exige mais caixa, mas que faz parte do sonho de consumo de milhões de brasileiros, a casa própria, também não deve ser descartada em função da crise. O consultor imobiliário José Luiz Kfuri reforça que o momento é muito favorável para o comprador. Ele dá a dica para que os interessados aproveitem os elevados estoques de unidades para pechinchar. “Se possível, venda um carro, um terreno ou resgate um investimento e use no pagamento do imóvel.”
O diretor da Idea Consultoria em Gestão Empresarial, João Luiz Borges Araújo, mostra que ao montar uma empresa dá para gastar menos. Para isso, ele sugere muita pesquisa e a compra de materiais e equipamentos de segunda mão. Mas ressalva que, independente dos custos, o planejamento e o conhecimento do mercado de atuação são indispensáveis. Araújo enfatiza que o empreendedor deve passar longe de empréstimos a juros altos, mas comenta que a família pode ser uma fonte de recursos.
A razão deve se sobrepor ao lado emocional
“A razão deve se sobrepor à emoção. É preferível adiar um pouco um sonho do que realizá-lo agora, em meio a uma crise, e logo depois vir a frustração”. A afirmação do economista e professor universitário Mário Vasconcelos não se trata de um balde de água fria para os sonhadores de plantão, mas dá o tom de cautela que é preciso ter antes de se tomar uma decisão que envolve muitas expectativas e recursos.
Para o especialista, sempre é preciso ter cuidado antes de comprar um imóvel, adquirir um carro, planejar uma viagem, idealizar uma festa ou investir na abertura de um negócio. Mas com o atual cenário econômico e a grave crise política que o país enfrenta, essa máxima se faz ainda mais necessária.
Ele pondera que a pessoa deve avaliar em quanto a realização do sonho irá impactar na renda familiar e qual o grau de estabilidade que tem no emprego, uma vez que o mercado de trabalho tem sido um dos mais afetados pela instabilidade econômica.
“Ainda vai demorar algum tempo para a economia retomar o crescimento. Então, o planejamento se mostra ainda mais importante para que não seja tomada uma decisão errada.”
Na visão de Antônio Marcus Machado, economista e professor universitário, nesse momento não pode haver precipitações. Entretanto, ele ressalta que sonhar, em meio a um quadro tão pessimista, é determinante para que as pessoas sejam capazes de correr em busca de seus objetivos e vencer os desafios.
“É preciso achar um sentido para a vida. Esse é o momento. Afinal, na prosperidade é quando você realiza. Agora, criar expectativas é uma maneira de ter fôlego e, assim, colher os sonhos um pouco mais à frente.”
Machado cita que abrir mão de alguns bens ou confortos pode ser uma maneira de conquistar um bem maior. “A pessoa deve verificar qual a capacidade de troca que ela tem. Pode vender um carro para dar entrada num apartamento? Ou pode buscar uma renda extra trabalhando mais? É preciso esgotar todas as alternativas.”
O diretor da Ideia Consultoria em Gestão Empresarial, João Luiz Borges Araújo, reforça a fala dos economistas quando o assunto é investir em uma empresa: “Não se deve abandonar o sonho, mas o empreendedor deve estar mais bem preparado para lidar com os imprevistos e com a falta de previsibilidade do cenário atual.”
Como driblar a crise
Foto: Edson Chagas – GZFormada em Direito, mas com o empreendedorismo na veia, Morgana Moraes viu na crise a chance de alugar roupas de festa. “As pessoas querem economizar, e essa é uma maneira”

Imóvel
Com a crise, está mais fácil negociar e conseguir descontos nos imóveis. Se tiver uma renda guardada, pode ser uma boa forma de conseguir descontos à vista ou com uma entrada maior. Abra mão de um bem, como um carro, para ajudar na compra. Se ainda precisa juntar dinheiro, alugue um imóvel mais barato para fazer uma poupança e comprar a casa própria.
Estudos
Se estiver em dificuldades financeiras, procure a instituição de ensino e tente negociar o pagamento. Veja se tem como fazer alguma atividade na empresa como troca por um desconto na mensalidade. Busque uma renda extra, como estágio ou venda de alimentos ou produtos, para ajudar na composição do orçamento.
Negócio
Investir em uma empresa requer ainda mais planejamento com a crise. Para não abrir mão desse sonho, avalie se o negócio tem demanda; pesquise maquinário usado para economizar; negocie com fornecedores prazo para pagamento enquanto faz capital de giro; evite empréstimos neste momento de juros altos.
Casamento
Não se deixe deslumbrar pelas opções do mercado. Corte mimos que, por menor custo que tenham, quando somados pesam no orçamento. Procure fornecedores que estão começando, eles tendem a ser mais baratos.
Faça uma festa para poucos convidados. Veja o que o casal e a família podem fazer para reduzir as despesas. Faça pelo menos cinco orçamentos de cada item.
Viagem
Para não abrir mão de viajar, é importante estar disposto a avaliar mais de um destino. Escolha hotéis mais simples, como hostels, e fuja de destinos com perfil consumista, como EUA. Para voos nacionais, programe-se com mais antecedência, já para o exterior, deixe para comprar a passagem mais perto da data da viagem, quando acontecem mais promoções.

Fonte: A Gazeta / Gazeta Online

Autora: Beatriz Seixas

Mesmo com a crise, dá para realizar sonhos. Confira a reportagem de capa do jornal A Gazeta desse domingo

Planejamento e estratégias são essenciais para ter sucesso

A universitária Raianny Caetano Flor já não leva somente uma mochila com os livros de cálculo ou resistência de materiais para a faculdade. Na bagagem da capixaba, vão também delícias como palha italiana, pé de moleque e cocada.
Foto: Fernando Madeira – GZPrestes a se formar, mas com dificuldade de achar estágio, Raianny Flor passou a vender doces, feitos pela tia, para ajudar no orçamento da família

Já os noivos Maísa Arantes e Igor Morotti planejaram o casamento, vestiram a camisa, literalmente, e foram para rua vender bolos gelados. Enquanto isso, a bacharel em Direito Morgana Moraes fez uma “limpa” no guarda-roupas e montou uma loja de aluguel de vestidos, em Jardim Camburi.

Essas três situações retratam um pouco da história de pessoas que têm sonhos distintos, mas que para realizá-los têm em comum a vontade de driblar os desafios, principalmente o financeiro, e dão o exemplo de que, mesmo na crise, dá para tirar do papel planos idealizados há anos.
Para isso, alguns esforços são necessários. No caso de Raianny, concluir o curso de Engenharia Civil na UCL e se orgulhar de ter um diploma foi o que a motivou a vender doces para ajudar a pagar a faculdade. Embora os pais da jovem mantenham seus empregos como empregada doméstica e marceneiro, o aumento do custo de vida no último ano não deu outra alternativa à universitária, senão ajudar nas despesas de casa.
Saída semelhante foi encontrada por Maísa e Igor. Com objetivo de se casarem no ano que vem, eles tentam no comércio informal juntar dinheiro para dar entrada na compra de um imóvel e cobrir alguns custos da festa.
Um sonho da adolescência foi concretizado após um susto. Depois de ser demitida de uma loja de vestuário, em meio à crise, Morgana teve a ideia de montar um negócio para alugar roupas femininas. Com o dinheiro da rescisão e com a ajuda da família, abriu a Mathildes, nome em homenagem à avó.
Assim como aconteceu com os quatro personagens citados, especialistas ouvidos pela reportagem garantem que, mesmo em cenários turbulentos, é possível realizar sonhos. Comprar um imóvel, casar, fazer uma viagem, montar um negócio ou investir nos estudos não precisam ser deletados do planejamento se as pessoas forem capazes de se organizar, fazer escolhas e “arregaçar as mangas”.
Foto: Marcelo Prest – GZCom o slogan “Bolo do sim. Eu aceitei e agora você me ajuda a casar?”, Maísa Arantes e Igor Morotti passaram a vender o quitute para reforçar o caixa para o casório

Estratégias

No caso de quem sonha em fazer uma viagem, o diretor da Tourlines, Marcelo Gama, frisa que existem alternativas para realizá-la. “Trocar o local de destino, reduzir o padrão de exigência de hotéis e atrações turísticas e fazer muita pesquisa de passagens aéreas são caminhos que podem garantir uma significativa economia.”
Uma ambição que exige mais caixa, mas que faz parte do sonho de consumo de milhões de brasileiros, a casa própria, também não deve ser descartada em função da crise. O consultor imobiliário José Luiz Kfuri reforça que o momento é muito favorável para o comprador. Ele dá a dica para que os interessados aproveitem os elevados estoques de unidades para pechinchar. “Se possível, venda um carro, um terreno ou resgate um investimento e use no pagamento do imóvel.”
O diretor da Idea Consultoria em Gestão Empresarial, João Luiz Borges Araújo, mostra que ao montar uma empresa dá para gastar menos. Para isso, ele sugere muita pesquisa e a compra de materiais e equipamentos de segunda mão. Mas ressalva que, independente dos custos, o planejamento e o conhecimento do mercado de atuação são indispensáveis. Araújo enfatiza que o empreendedor deve passar longe de empréstimos a juros altos, mas comenta que a família pode ser uma fonte de recursos.
A razão deve se sobrepor ao lado emocional
“A razão deve se sobrepor à emoção. É preferível adiar um pouco um sonho do que realizá-lo agora, em meio a uma crise, e logo depois vir a frustração”. A afirmação do economista e professor universitário Mário Vasconcelos não se trata de um balde de água fria para os sonhadores de plantão, mas dá o tom de cautela que é preciso ter antes de se tomar uma decisão que envolve muitas expectativas e recursos.
Para o especialista, sempre é preciso ter cuidado antes de comprar um imóvel, adquirir um carro, planejar uma viagem, idealizar uma festa ou investir na abertura de um negócio. Mas com o atual cenário econômico e a grave crise política que o país enfrenta, essa máxima se faz ainda mais necessária.
Ele pondera que a pessoa deve avaliar em quanto a realização do sonho irá impactar na renda familiar e qual o grau de estabilidade que tem no emprego, uma vez que o mercado de trabalho tem sido um dos mais afetados pela instabilidade econômica.
“Ainda vai demorar algum tempo para a economia retomar o crescimento. Então, o planejamento se mostra ainda mais importante para que não seja tomada uma decisão errada.”
Na visão de Antônio Marcus Machado, economista e professor universitário, nesse momento não pode haver precipitações. Entretanto, ele ressalta que sonhar, em meio a um quadro tão pessimista, é determinante para que as pessoas sejam capazes de correr em busca de seus objetivos e vencer os desafios.
“É preciso achar um sentido para a vida. Esse é o momento. Afinal, na prosperidade é quando você realiza. Agora, criar expectativas é uma maneira de ter fôlego e, assim, colher os sonhos um pouco mais à frente.”
Machado cita que abrir mão de alguns bens ou confortos pode ser uma maneira de conquistar um bem maior. “A pessoa deve verificar qual a capacidade de troca que ela tem. Pode vender um carro para dar entrada num apartamento? Ou pode buscar uma renda extra trabalhando mais? É preciso esgotar todas as alternativas.”
O diretor da Ideia Consultoria em Gestão Empresarial, João Luiz Borges Araújo, reforça a fala dos economistas quando o assunto é investir em uma empresa: “Não se deve abandonar o sonho, mas o empreendedor deve estar mais bem preparado para lidar com os imprevistos e com a falta de previsibilidade do cenário atual.”
Como driblar a crise
Foto: Edson Chagas – GZFormada em Direito, mas com o empreendedorismo na veia, Morgana Moraes viu na crise a chance de alugar roupas de festa. “As pessoas querem economizar, e essa é uma maneira”

Imóvel
Com a crise, está mais fácil negociar e conseguir descontos nos imóveis. Se tiver uma renda guardada, pode ser uma boa forma de conseguir descontos à vista ou com uma entrada maior. Abra mão de um bem, como um carro, para ajudar na compra. Se ainda precisa juntar dinheiro, alugue um imóvel mais barato para fazer uma poupança e comprar a casa própria.
Estudos
Se estiver em dificuldades financeiras, procure a instituição de ensino e tente negociar o pagamento. Veja se tem como fazer alguma atividade na empresa como troca por um desconto na mensalidade. Busque uma renda extra, como estágio ou venda de alimentos ou produtos, para ajudar na composição do orçamento.
Negócio
Investir em uma empresa requer ainda mais planejamento com a crise. Para não abrir mão desse sonho, avalie se o negócio tem demanda; pesquise maquinário usado para economizar; negocie com fornecedores prazo para pagamento enquanto faz capital de giro; evite empréstimos neste momento de juros altos.
Casamento
Não se deixe deslumbrar pelas opções do mercado. Corte mimos que, por menor custo que tenham, quando somados pesam no orçamento. Procure fornecedores que estão começando, eles tendem a ser mais baratos.
Faça uma festa para poucos convidados. Veja o que o casal e a família podem fazer para reduzir as despesas. Faça pelo menos cinco orçamentos de cada item.
Viagem
Para não abrir mão de viajar, é importante estar disposto a avaliar mais de um destino. Escolha hotéis mais simples, como hostels, e fuja de destinos com perfil consumista, como EUA. Para voos nacionais, programe-se com mais antecedência, já para o exterior, deixe para comprar a passagem mais perto da data da viagem, quando acontecem mais promoções.

Fonte: A Gazeta / Gazeta Online

Autora: Beatriz Seixas

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