Irmãs criam site que propõe educação aberta e colaborativa

Uma pesquisa publicada recentemente pelo instituto Pew revela alguns detalhes sobre a geração Y, ou “millenials”, que compreende pessoas nascidas entre o começo dos anos 1980 e meados dos 1990. Apesar de ter sido realizada nos Estados Unidos, a pesquisa fornece pistas sobre os caminhos das juventudes globais e conectadas.

Chamado de “Confiante. Conectado. Aberto à mudança”, o estudo aponta que a atual geração de jovens adultos, ao contrário do prognóstico de que seriam individualistas e mimados, tem mostrado uma atitude empática, aberta e solidária, preocupada com os rumos do mundo. Entre os entrevistados, 64% afirmaram que preferem receber 40 mil dólares por ano num trabalho que gostam do que 100 mil dólares por um que eles acham pouco recompensador.

A trajetória das irmãs Anna e Camila Haddad é um retrato dos dados trazidos pela pesquisa. Elas vieram de Campo Grande (MS) para São Paulo ainda na adolescência. Sozinhas na cidade grande – sem os pais – foram estudar no Colégio Bandeirantes e seguiram o rumo esperado para jovens de classe média alta da capital paulista: foram para faculdades prestigiosas estudar Direito e Administração de Empresas. Não demorou muito para que o roteiro – próspero, lucrativo e pré-estabelecido – deixasse de fazer sentido.

Camila começou então a estudar colaboração e sustentabilidade, com um mestrado em Londres, finalizado em 2012. Anna passou a dar vazão ao interesse por educação enquanto se afastava do escritório onde advogava e da pós-graduação em direito imobiliário. Perceberam que os caminhos desenhados para toda a vida não satisfaziam mais. E encontraram na raiz desse processo o modelo de educação formal que haviam recebido.

“Era como se a escola fosse um obstáculo, não uma catapulta de potencialidades. Não que seja assim para todos, mas eu tiquei todas as caixinhas e vi que algo não batia, como se eu nunca tivesse tido tempo para pensar na minha vida e tudo fosse produção, carreira etc.”, lembra Anna, que também editou o livro “Desnamorados – um livro colaborativo sobre o amor”, financiado e produzido por centenas de pessoas.

Foi a partir dessas mudanças que, juntas, criaram o Cinese: uma plataforma digital que oferece um espaço e uma comunidade aberta de aprendizagem. “É porteira aberta. As pessoas podem chegar e propor atividades e ela está no ar. A plataforma abriga a vontade de colocar conhecimento para circular e pessoas para aprender e ensinar o que sabem. Para aprender é necessário apenas duas pessoas interessadas”, propõe Camila.

Para fazer parte, basta se cadastrar e escolher um curso ou criar uma atividade. Entre as temáticas presentes na página inicial, estão cursos de Yoga, de fabricação de brinquedos, de manejo de redes sociais, criação, desenho, webdesign, transfeminismo, empreendedorisno, edição de vídeo e imagens. Há muitos cursos gratuitos, enquanto outros cobram taxas simbólicas.

Com dois anos, a plataforma vai se consolidando e formando relações. Segundo as irmãs, os mais de 600 encontros já realizados via Cinese já deram vazão a contatos profissionais, amizades e até relacionamentos amorosos.

“Tentamos colocar as pessoas em contato com o que elas sabem. Muita gente acha que não possui nada para oferecer, mas mostramos que as relações de troca podem ser muito produtivas”, afirma Camila. Para ela, falar de colaboração não é apenas algo “bonitinho”, mas uma forma pragmática de ver o mundo.

“É um paradigma diferente de como a gente pode se organizar em sociedade e economicamente também. Quando a gente percebe que tem recursos abundantes e basta se conectar para mudar as coisas – e isso é muito mais eficiente – há uma resposta muito forte. É um processo também mais significativo para quem participa: você não precisa de alguém de fora para validar o que você faz, você faz por conta”, conclui.

Laboriosa 89

As duas se reúnem para trabalhar na casa de trabalho coletivo Laboriosa 89, com sede na Vila Madalena, bairro da zona oeste de São Paulo, onde também acontece uma boa parte dos encontros do Cinese. O espaço, mantido por seus usuários, foi criado para convergir trocas, aprendizagens e trabalho colaborativo. No local, reúnem-se profissionais de várias áreas interessados em novas dinâmicas de trabalho em espaços não formais. Para saber mais, acesse o site da iniciativa ou faça uma visita.

Fonte: Portal Aprendiz

Irmãs criam site que propõe educação aberta e colaborativa

Uma pesquisa publicada recentemente pelo instituto Pew revela alguns detalhes sobre a geração Y, ou “millenials”, que compreende pessoas nascidas entre o começo dos anos 1980 e meados dos 1990. Apesar de ter sido realizada nos Estados Unidos, a pesquisa fornece pistas sobre os caminhos das juventudes globais e conectadas.

Chamado de “Confiante. Conectado. Aberto à mudança”, o estudo aponta que a atual geração de jovens adultos, ao contrário do prognóstico de que seriam individualistas e mimados, tem mostrado uma atitude empática, aberta e solidária, preocupada com os rumos do mundo. Entre os entrevistados, 64% afirmaram que preferem receber 40 mil dólares por ano num trabalho que gostam do que 100 mil dólares por um que eles acham pouco recompensador.

A trajetória das irmãs Anna e Camila Haddad é um retrato dos dados trazidos pela pesquisa. Elas vieram de Campo Grande (MS) para São Paulo ainda na adolescência. Sozinhas na cidade grande – sem os pais – foram estudar no Colégio Bandeirantes e seguiram o rumo esperado para jovens de classe média alta da capital paulista: foram para faculdades prestigiosas estudar Direito e Administração de Empresas. Não demorou muito para que o roteiro – próspero, lucrativo e pré-estabelecido – deixasse de fazer sentido.

Camila começou então a estudar colaboração e sustentabilidade, com um mestrado em Londres, finalizado em 2012. Anna passou a dar vazão ao interesse por educação enquanto se afastava do escritório onde advogava e da pós-graduação em direito imobiliário. Perceberam que os caminhos desenhados para toda a vida não satisfaziam mais. E encontraram na raiz desse processo o modelo de educação formal que haviam recebido.

“Era como se a escola fosse um obstáculo, não uma catapulta de potencialidades. Não que seja assim para todos, mas eu tiquei todas as caixinhas e vi que algo não batia, como se eu nunca tivesse tido tempo para pensar na minha vida e tudo fosse produção, carreira etc.”, lembra Anna, que também editou o livro “Desnamorados – um livro colaborativo sobre o amor”, financiado e produzido por centenas de pessoas.

Foi a partir dessas mudanças que, juntas, criaram o Cinese: uma plataforma digital que oferece um espaço e uma comunidade aberta de aprendizagem. “É porteira aberta. As pessoas podem chegar e propor atividades e ela está no ar. A plataforma abriga a vontade de colocar conhecimento para circular e pessoas para aprender e ensinar o que sabem. Para aprender é necessário apenas duas pessoas interessadas”, propõe Camila.

Para fazer parte, basta se cadastrar e escolher um curso ou criar uma atividade. Entre as temáticas presentes na página inicial, estão cursos de Yoga, de fabricação de brinquedos, de manejo de redes sociais, criação, desenho, webdesign, transfeminismo, empreendedorisno, edição de vídeo e imagens. Há muitos cursos gratuitos, enquanto outros cobram taxas simbólicas.

Com dois anos, a plataforma vai se consolidando e formando relações. Segundo as irmãs, os mais de 600 encontros já realizados via Cinese já deram vazão a contatos profissionais, amizades e até relacionamentos amorosos.

“Tentamos colocar as pessoas em contato com o que elas sabem. Muita gente acha que não possui nada para oferecer, mas mostramos que as relações de troca podem ser muito produtivas”, afirma Camila. Para ela, falar de colaboração não é apenas algo “bonitinho”, mas uma forma pragmática de ver o mundo.

“É um paradigma diferente de como a gente pode se organizar em sociedade e economicamente também. Quando a gente percebe que tem recursos abundantes e basta se conectar para mudar as coisas – e isso é muito mais eficiente – há uma resposta muito forte. É um processo também mais significativo para quem participa: você não precisa de alguém de fora para validar o que você faz, você faz por conta”, conclui.

Laboriosa 89

As duas se reúnem para trabalhar na casa de trabalho coletivo Laboriosa 89, com sede na Vila Madalena, bairro da zona oeste de São Paulo, onde também acontece uma boa parte dos encontros do Cinese. O espaço, mantido por seus usuários, foi criado para convergir trocas, aprendizagens e trabalho colaborativo. No local, reúnem-se profissionais de várias áreas interessados em novas dinâmicas de trabalho em espaços não formais. Para saber mais, acesse o site da iniciativa ou faça uma visita.

Fonte: Portal Aprendiz