O Coordenador Geral, Professor Marcelo Loyola Fraga, concedeu entrevista para a Rádio CBN sobre a formalização de negócios. Confira abaixo:

 

Em 6 anos, formalização de negócios cresceu 670 % no ES

Em 2016, já havia mais de 174 mil microeemprendedores no estado. Com a perda de empregos na crise econômica, procura aumentou.

Luísa Torre De A Gazeta

Em 6 anos, formalização de negócios cresceu 670 % no Espírito Santo (Foto: Arte/ A Gazeta)
Em 6 anos, formalização de negócios cresceu 670 % no Espírito Santo (Foto: Arte/ A Gazeta)

Mais de 174 mil moradores do Espírito Santo se formalizaram como microempreendedores individuais (MEIs) desde 2009, quando o programa foi criado. Em seis anos, desde 2010, o número de adesões ao programa cresceu 670% – de 20.244 empreendedores naquele ano para 174.250 em 2016.

Entre 2015 e 2016, dois anos de intensa crise econômica, 52,4 mil habitantes do estado se transformaram em empreendedores formais, com benefícios tributários e previdenciários.

Com a perda acentuada de empregos – em dois anos, foram fechados mais de 80 mil postos no estado –, muita gente foi empurrada para o empreendedorismo por necessidade, explica o economista e coordenador geral da faculdade Pio XII, Marcelo Loyola Fraga.

“Para muita gente que perde o emprego e não consegue recolocação, o MEI é a porta de entrada para empreender. São os empreendedores por necessidade, pessoas que se tornaram vendedores ambulantes, por exemplo, mas agora com determinado nível de escolaridade dando um diferencial de qualidade, organização e divulgação ao negócio”, explica.

Outra situação, explicam os economistas, é a de muitas empresas que tiveram redução no faturamento e migraram para o MEI, que tem uma carga tributária bastante reduzida.

Ou seja, uma parte do crescimento dos MEI pode ser empresas novas abrindo, mas há uma parte de empresas maiores que estão migrando para o MEI, como uma estratégia para economizar imposto.

A analista de atendimento e gestora do programa MEI do Sebrae-ES, Renata Braga, explica que, para se enquadrar no programa, é preciso ter limite de faturamento de R$ 60 mil por ano, não ser sócio em outro empresa e ter no máximo um empregado.

“É fato que se opta pelo MEI devido às facilidades, ao custo reduzido tributário, à possibilidade de emitir nota fiscal, contratar um funcionário, ter garantias junto ao INSS. Para os próximos anos, a tendência é continuar crescendo. A partir do ano que vem teremos uma nova realidade do teto do faturamento, que será de R$ 81 mil”.

Além disso, explica ela, com o momento econômico ruim, muita gente optou por planejar o investimento antes de fazê-lo.

“Embora o cenário econômico seja negativo, quem se desligou das empresas está se preparando tecnicamente na estruturação do negócio. São pessoas que têm capital a investir e levaram mais tempo para fazer o planejamento. Mas varejo de vestuário, de acessórios e os salões de beleza continuam despontando”, disse ela.