Como lidar com o colega tagarela no trabalho

Você quer se concentrar, tenta de todas as maneiras, mas não consegue. Tudo por causa do burburinho das conversas de seus colegas de trabalho. Você não está sozinho nesse problema. O bate-papo ininterrupto entre pessoas no escritório é uma fonte de tensão em muitos locais de trabalho, e esquivar-se desses colegas que não param de falar — muitas vezes em alto e bom som — pode ser um grande desafio, mostra reportagem publicada pelo The Wall Street Journal.

Muitos contam os mínimos detalhes de suas façanhas românticas, brigas conjugais, problemas financeiros, cirurgias recentes ou os últimos disparates de suas sogras, quer os colegas mostrem interesse ou não. Outros fazem questão de detalhar os pormenores dos projetos em que estão envolvidos ou leem em voz altas textos que irão apresentar, seja para uma publicação, palestra ou reunião.

BOA_TAGARELAsite

Um caso citado na reportagem foi o de Amelia Blanquera, que foi perturbada durante meses por um colega de trabalho que queria falar sobre seus problemas familiares, namoro e experimentos com novos estilos de ioga. Ela tentou desencorajá-lo mudando-se para uma mesa em outro lugar do escritório para dificultar as conversas, e passou a usar fones de ouvido, que colocava assim que ele aparecia em sua mesa.

“Eu estou tentando trabalhar”, dizia Amelia, que é procuradora da cidade de Nova York e escritora.

A gota d’água foi quando o colega quis mostrar um livro de ioga tântrica e ela disse rispidamente: “Eu não tenho tempo”. No final das contas, eles acabaram negociando um acordo para ele parar de interrompê-la tanto.

“Ele precisava de um terapeuta, um bom amigo ou uma companheira, o que acabou conseguindo quando começou a namorar alguém fora do escritório”, disse a procuradora.

De acordo com pesquisa realizada pela SurveyMonkey Audience, mais de três a cada cinco funcionários afirmam ter pelo menos um colega de trabalho que se excede no compartilhamento de sua vida pessoal uma vez por semana ou mais.

Aqueles que falam em excesso acabam perturbando os colegas e arriscam não apenas prejudicar suas próprias carreiras como as de outros. Para intervir, é necessário elegância, porque muitos desses “tagarelas” são frágeis e desprovidos de traquejo social. Muitos precisam de feedback direto e explícito para que reconheçam as necessidades emocionais ou desejos que os levam a falar em excesso.

Aqui no Brasil, lembra Lúcia Almeida, sócia da MSA Recursos Humanos, a cultura propicia um comportamento mais extrovertido no ambiente de trabalho, porém, o que deve prevalecer nestes casos é a cultura da empresa e, mesmo com profissionais que têm a competência de se relacionar mais desenvolvida, é possível manter um ambiente que propicie momentos para a interação do grupo:

— Os famosos tagarelas são pessoas de fácil relacionamento e que, por vezes, não gostam de ambientes formais ou metódicos. Nem sempre essa característica é sinônimo de insegurança, mas é preciso uma análise adequada sobre a função que exerce e as competências potenciais que possui, pois neste ponto pode estar a questão.

Ela ressalta, no entanto, que existem situações e áreas da empresa onde os profissionais precisam de maior concentração e, por isso, a tendência é que haja um desconforto com a presença de pessoas que tendem a conversar durante o trabalho. Neste contexto, não só a empresa e os colegas são prejudicados, como também o profissional que, embora possa ter qualidades e resultados importantes, passa a ser visto como um componente da equipe que atrapalha. Por outro lado, quando a gestão percebe esta característica em um membro da equipe, pode utilizá-la trazendo, em períodos de maior tensão, momentos de descontração.

Gestor de Projetos e Carreiras da Top Quality, Giovani Falcão acredita que a falta de atenção ou dispersão, provocada pelo burburinho das conversas, pode trazer vários problemas para o profissional e para a organização: a perda de prazos, demora na resolução das atividades, dispersão de foco, desatenção em novas estratégias, perda de olhar diferenciado, entre outros.

— É fato que o ser humano é um ser relacional. Logo, a todo momento precisamos estar em grupo, mas é necessário que até para o “ócio” se tenha estratégias e objetivos, para que não atrapalhe o desenvolvimento das demais atividades do dia, seja profissional ou pessoal. Existem empresas que criam espaços de entretenimento para seus funcionários, com jogos e ambientes mais propícios para uma conversa informal, sem atrapalhar a concentração dos colegas de trabalho no ambiente operacional.

Outro exemplo citado pelo The Wall Street Journal é o de uma advogada de um escritório especializado em mediação de divórcios na Califórnia, que não percebia como suas conversas ininterruptas sobre seus problemas com o marido estavam afetando os colegas. De acordo com a proprietária do escritório, Nancy Fagan, a advogada estava “usando o escritório para desabafar e tentar encontrar soluções” para seus problemas, e os colegas estavam se queixando. A solução encontrada por Nancy foi chamar a advogada para uma conversa, onde assegurou que seu emprego não estava em perigo, mas a instruiu para que parasse de usar o ambiente de trabalho para resolver seus problemas. E, de quebra, recomendou que a advogada procurasse um terapeuta. A funcionária atendeu às sugestões de Nancy e a conversa incessante teve fim.

Gestores tentam reduzir falação indesejável

Os gestores andam na corda bamba tentando reduzir a falação indesejável no escritório numa era em que conversas francas estão em voga. No caso citado, o papel do gestor foi fundamental para aliviar a situação. Na opinião de Lúcia, da MSA, o gestor deve estar atento à sinergia da equipe e, por isso, sua intervenção deve ser imediata caso perceba que as ações de um determinado funcionário está prejudicando o bom andamento do trabalho de todo o resto:

— Não é possível delegar à equipe a responsabilidade pelo comportamento de um de seus membros. Eventualmente, um colega poderá conversar com o profissional que insiste em um comportamento não aceito pela equipe, mas a responsabilidade de orientar e conter comportamentos inapropriados é do gestor.

Para a sócia da MSA Recursos Humanos, a melhor estratégia, sempre, é contar com a gestão e seu manejo da equipe para lidar com o profissional que tem a conversa, durante o trabalho, como uma prática acima do esperado. A educação e o respeito à singularidade de cada membro da equipe deve ser um ponto de atenção, indicando práticas conciliatórias, tanto para o profissional quanto para a equipe.

Falcão bate na mesma tecla: para ele, cabe ao gestor imediato o “feedback“ de trabalho e a gestão do ambiente organizacional. E este é um bom momento também para se trabalhar com toda a equipe a visão, missão e valores da organização, orientando também sobre as regras de convivência para que não atrapalhe o fluxo do trabalho. E caso o o incômodo for permanente, deve verificar as normas internas para a punição do mesmo.

No caso daqueles que se sentem incomodados, Falcão sugere que tentem abstrair e exercitar o foco no trabalho, sem se importar com o que acontece ao lado:

— De fato, no mercado atual, em função do volume de informação, é quase impossível conseguir um ambiente que seja completamente neutro às interferências, e se torna um desafio ao profissional trabalhar essa concentração direcional.

Fonte: O Globo

Como lidar com o colega tagarela no trabalho

Você quer se concentrar, tenta de todas as maneiras, mas não consegue. Tudo por causa do burburinho das conversas de seus colegas de trabalho. Você não está sozinho nesse problema. O bate-papo ininterrupto entre pessoas no escritório é uma fonte de tensão em muitos locais de trabalho, e esquivar-se desses colegas que não param de falar — muitas vezes em alto e bom som — pode ser um grande desafio, mostra reportagem publicada pelo The Wall Street Journal.

Muitos contam os mínimos detalhes de suas façanhas românticas, brigas conjugais, problemas financeiros, cirurgias recentes ou os últimos disparates de suas sogras, quer os colegas mostrem interesse ou não. Outros fazem questão de detalhar os pormenores dos projetos em que estão envolvidos ou leem em voz altas textos que irão apresentar, seja para uma publicação, palestra ou reunião.

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Um caso citado na reportagem foi o de Amelia Blanquera, que foi perturbada durante meses por um colega de trabalho que queria falar sobre seus problemas familiares, namoro e experimentos com novos estilos de ioga. Ela tentou desencorajá-lo mudando-se para uma mesa em outro lugar do escritório para dificultar as conversas, e passou a usar fones de ouvido, que colocava assim que ele aparecia em sua mesa.

“Eu estou tentando trabalhar”, dizia Amelia, que é procuradora da cidade de Nova York e escritora.

A gota d’água foi quando o colega quis mostrar um livro de ioga tântrica e ela disse rispidamente: “Eu não tenho tempo”. No final das contas, eles acabaram negociando um acordo para ele parar de interrompê-la tanto.

“Ele precisava de um terapeuta, um bom amigo ou uma companheira, o que acabou conseguindo quando começou a namorar alguém fora do escritório”, disse a procuradora.

De acordo com pesquisa realizada pela SurveyMonkey Audience, mais de três a cada cinco funcionários afirmam ter pelo menos um colega de trabalho que se excede no compartilhamento de sua vida pessoal uma vez por semana ou mais.

Aqueles que falam em excesso acabam perturbando os colegas e arriscam não apenas prejudicar suas próprias carreiras como as de outros. Para intervir, é necessário elegância, porque muitos desses “tagarelas” são frágeis e desprovidos de traquejo social. Muitos precisam de feedback direto e explícito para que reconheçam as necessidades emocionais ou desejos que os levam a falar em excesso.

Aqui no Brasil, lembra Lúcia Almeida, sócia da MSA Recursos Humanos, a cultura propicia um comportamento mais extrovertido no ambiente de trabalho, porém, o que deve prevalecer nestes casos é a cultura da empresa e, mesmo com profissionais que têm a competência de se relacionar mais desenvolvida, é possível manter um ambiente que propicie momentos para a interação do grupo:

— Os famosos tagarelas são pessoas de fácil relacionamento e que, por vezes, não gostam de ambientes formais ou metódicos. Nem sempre essa característica é sinônimo de insegurança, mas é preciso uma análise adequada sobre a função que exerce e as competências potenciais que possui, pois neste ponto pode estar a questão.

Ela ressalta, no entanto, que existem situações e áreas da empresa onde os profissionais precisam de maior concentração e, por isso, a tendência é que haja um desconforto com a presença de pessoas que tendem a conversar durante o trabalho. Neste contexto, não só a empresa e os colegas são prejudicados, como também o profissional que, embora possa ter qualidades e resultados importantes, passa a ser visto como um componente da equipe que atrapalha. Por outro lado, quando a gestão percebe esta característica em um membro da equipe, pode utilizá-la trazendo, em períodos de maior tensão, momentos de descontração.

Gestor de Projetos e Carreiras da Top Quality, Giovani Falcão acredita que a falta de atenção ou dispersão, provocada pelo burburinho das conversas, pode trazer vários problemas para o profissional e para a organização: a perda de prazos, demora na resolução das atividades, dispersão de foco, desatenção em novas estratégias, perda de olhar diferenciado, entre outros.

— É fato que o ser humano é um ser relacional. Logo, a todo momento precisamos estar em grupo, mas é necessário que até para o “ócio” se tenha estratégias e objetivos, para que não atrapalhe o desenvolvimento das demais atividades do dia, seja profissional ou pessoal. Existem empresas que criam espaços de entretenimento para seus funcionários, com jogos e ambientes mais propícios para uma conversa informal, sem atrapalhar a concentração dos colegas de trabalho no ambiente operacional.

Outro exemplo citado pelo The Wall Street Journal é o de uma advogada de um escritório especializado em mediação de divórcios na Califórnia, que não percebia como suas conversas ininterruptas sobre seus problemas com o marido estavam afetando os colegas. De acordo com a proprietária do escritório, Nancy Fagan, a advogada estava “usando o escritório para desabafar e tentar encontrar soluções” para seus problemas, e os colegas estavam se queixando. A solução encontrada por Nancy foi chamar a advogada para uma conversa, onde assegurou que seu emprego não estava em perigo, mas a instruiu para que parasse de usar o ambiente de trabalho para resolver seus problemas. E, de quebra, recomendou que a advogada procurasse um terapeuta. A funcionária atendeu às sugestões de Nancy e a conversa incessante teve fim.

Gestores tentam reduzir falação indesejável

Os gestores andam na corda bamba tentando reduzir a falação indesejável no escritório numa era em que conversas francas estão em voga. No caso citado, o papel do gestor foi fundamental para aliviar a situação. Na opinião de Lúcia, da MSA, o gestor deve estar atento à sinergia da equipe e, por isso, sua intervenção deve ser imediata caso perceba que as ações de um determinado funcionário está prejudicando o bom andamento do trabalho de todo o resto:

— Não é possível delegar à equipe a responsabilidade pelo comportamento de um de seus membros. Eventualmente, um colega poderá conversar com o profissional que insiste em um comportamento não aceito pela equipe, mas a responsabilidade de orientar e conter comportamentos inapropriados é do gestor.

Para a sócia da MSA Recursos Humanos, a melhor estratégia, sempre, é contar com a gestão e seu manejo da equipe para lidar com o profissional que tem a conversa, durante o trabalho, como uma prática acima do esperado. A educação e o respeito à singularidade de cada membro da equipe deve ser um ponto de atenção, indicando práticas conciliatórias, tanto para o profissional quanto para a equipe.

Falcão bate na mesma tecla: para ele, cabe ao gestor imediato o “feedback“ de trabalho e a gestão do ambiente organizacional. E este é um bom momento também para se trabalhar com toda a equipe a visão, missão e valores da organização, orientando também sobre as regras de convivência para que não atrapalhe o fluxo do trabalho. E caso o o incômodo for permanente, deve verificar as normas internas para a punição do mesmo.

No caso daqueles que se sentem incomodados, Falcão sugere que tentem abstrair e exercitar o foco no trabalho, sem se importar com o que acontece ao lado:

— De fato, no mercado atual, em função do volume de informação, é quase impossível conseguir um ambiente que seja completamente neutro às interferências, e se torna um desafio ao profissional trabalhar essa concentração direcional.

Fonte: O Globo